A Profa. Coruja Buraqueira morou por muitos anos numa toca nos jardins da Universidade onde ela ensinava muitas corujinhas. Quando ela se aposentou resolveu ir morar na beira da praia. Ela sentia muitas saudades do seu companheiro o Prof. Corujão Buraquiero que morreu devorado por um enorme predador. Era um bom companheiro, sempre ajudou a Profa. Coruja a cuidar dos seus filhotes buscando comidinhas e até vigiando o ninho, nunca deixou nenhum predador faminto se aproximar.
Agora viúva e aposentada, a Profa. Coruja construiu sua própria toca na praia. No início ela não conhecia ninguém na nova redondeza. Porém, aos poucos, foi fazendo amizades com outras corujas-buraqueiras. Logo, logo, a Profa. Coruja reuniu um monte de amigos e amigas num grupo de bate-papo. Eles tinham tantas aventuras lindas para contar que a Profa. Coruja Buraquiera resolveu fazer um livro com aquelas estórias maravilhosas. O grupo de amigos ficou mais feliz ainda quando a Ana Esther ofereceu o seu Blog para mostrar para todo o mundo esses contos fantásticos das corujas-buraqueiras.
=> Visitem essa página do Blog para conferir o que as corujinhas têm para contar!!!
Profa. Coruja Buraqueira
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Coletânea dos Causos das
Corujinhas-buraqueiras
Corujinhas-buraqueiras
A ideia da Profa. Coruja Buraqueira deu o que falar! Seus colegas do grupo de bate-papo se entusiasmaram tanto que resolveram fazer vários lançamentos do lindo livro com os causos por eles contados. Era uma diversão daquelas, todos os amigos bichos desejavam um exemplar, queriam ler as aventuras e experiências das corujas-buraqueiras. O livro foi um sucesso de leitura entre toda a bicharada.
Tão grande era a animação com o livro e o Blog que que os leitores fãs das corujinhas sugeriram que elas organizassem encontros para saraus literários! Nesses encontros, a corujinha autora do causo lia para os amigos o que havia escrito e depois todos comentavam, faziam perguntas, queriam saber mais detalhes –quanta alegria! Que festança.
E aqui no Blog da Ana Esther as corujinhas abrem espaço para as perguntas e comentários de todo o mundo, até dos seres humanos! Então, que tal ler os causos e depois fazer um comentário ou pergunta??? A Profa. Coruja Buraqueira e seus amigos estão esperando!
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Eu sou a Corujana Buraqueira e vou contar como um caranguejinho muito jovem salvou a mim e toda a minha família de uma morte horrível... Pois tudo começou quando o meu companheiro (o Sr. Bruraqueiro) e eu havíamos terminado de fazer um longo túnel subterrâneo na nossa toca para abrigarmos com segurança os nossos 8 ovinhos. Estávamos muito felizes pois eram os nossos primeiros ovinhos desde que nos casamos... hum! Oh, ah, continuado... o meu marido vigiava a entrada da toca, buscava comidinhas ali por perto do cômoro de areia onde morávamos. E não é que o tal do jovem caranguejo permanecia observando a nossa toca por horas a fio enquanto ele próprio fazia uns buraquinhos tão lindinhos onde corria para se esconder ao menor sinal de perigo. Nem eu nem o Sr. Buraqueiro tivemos vontade de caçar o delicioso, oh, quis dizer, o corajoso caranguejinho e buscávamos então outras comidinhas como ratinhos e cobras...
E foi então que numa noite de lua Cheia os humanos fizeram um luau. Um rapaz para se exibir subiu correndo com o jipe no nosso cômoro de areia, bem perto da entrada da nossa toca. O buraco desmoronou e nós e nossos ovinhos ficamos soterrados, sem saída... Graças ao jovem caranguejinho (meu herói!) estamos vivos pois ele viu o que acontecera e correu para a nossa toca. Cavou, cavou, cavou até nos encontrar já fraquinhos. Quando ele percebeu que estávamos nos recuperando, começou a ir embora temendo virar nossa janta. Mas nós o chamamos e agradecemos por ter salvo nossos ovinhos arriscando a sua própria vida. Hoje ele é padrinho dos nossos filhotes e nosso amigo querido!
Uma Vaquinha para o Compadre Urubu
Foto: Ana Esther
Olá, eu sou o Corujônico Buraqueiro e vou contar para vocês um causo tão triste, mas tão triste que é de arrepiar as penas! Pois não é que o meu Compadre Urubu e a Comadre Urubu recém haviam ganhado o seu primeiro filhinho, o lindo Urubonildo. Eles eram pura alegria... Até que o enorme campo onde eles moravam, ali para os lados do Monte Verde, virou área comercial e logo começaram a construir prédios adoidadamente. Assim, o Compadre Urubu ficou sem ter onde morar. O pobrezinho do Urubonildo grasnava chorando muito sem a tranquilidade de um lar. Eles dormiam cada noite numa praia ou campo diferente mas acabavam sendo expulsos pelos outros bichos que já disputavam também um lugarzinho para viverem. Em Florianópolis, os locais para a bicharada morar estão diminuindo a cada dia...
Foi assim que eu e as minhas amigas corujas buraqueiras ficamos com dó da família do Compadre Urubu e resolvemos ir numa grande comitiva falar com um amigo meu humano. Ele apavorou-se com a situação dos bichos sem habitat. Organizou então uma vaquinha com outros amigos humanos dele e compraram um sítio lá para as bandas do Pântano do Sul só para abrigar as aves e outros bichos que, assim como o Compadre Urubu, não tinham mais onde morar. O amigo humano adorou a ideia e a chance de ajudar os bichos. Graças à vaquinha feita pensando no Compadre Urubu, hoje, não apenas ele e sua família mas um montão de outros bichos vivem bem seguros lá no sítio e o Urubonildo virou um bonito urubu, voando bem faceiro pelo céu de Florianópolis!
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A Garça Poluída
Foto: Ana Esther
Oi, pessoal! Eu sou a
Srta. Corujelda Buraqueira e agradeço a muito o convite da Profa. Coruja
Buraqueira e poder então contar para vocês o drama da minha amiga garça. Pois
não é que a Garciosa apareceu lá na minha casa, na Praia do Moçambique, tão
fraquinha e magra de dar dó... Ela me falou que estava a caminho do Parque
Florestal do Rio Vermelho onde o pessoal recolhe os bichinhos doentes ou
machucados e os tratam até eles poderem voltar para suas casas, já recuperados.
A Garciosa precisou parar par descansar de tão doentinha que estava.
Ela me contou que tudo aconteceu quando ela resolvera
visitar o seu amigo de infância, o Jacarélico, que mora no rio Itacorubi. Eu
fiquei surpresa que ela fosse amiga de um jacaré! Credo, que medo. Bem, mas lá
estavam os dois papeando ao sol na beira do rio quando ela, com sua visão
superpoderosa, notou um peixinho brilhando na água e... nhoc! Abocanhou a guloseima... Foi a pior viagem! Não era um
peixinho. Era uma tampa de metal e que ficou atravessada no pescoço comprido da
Garciosa.
Nossa, ainda bem que o Jacarélico atirou com seu rabo um
jato d’água na amiga garça. Ela conseguiu respirar e então tossiu até cuspir
para fora a tampinha! Foi um sufoco. Mas a tampa era de um veneno tão forte que
envenenou a água do rio e a pobre da Garciosa também. Por isso ela precisou ir se
tratar no Parque Florestal, a coitadinha. Agora ela está bem melhor. Mas o rio
continua poluído...
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Quarto Causo:
Jacaré em Apuros!
Foto: Ana Esther
Que
bom estar aqui com vocês e poder relatar o que houve com o pobre do Jacarélico,
o amigo de infância da Garciosa. Pois eu sou o Vovô Corujítico e sou vizinho de
toca da Srta. Corujelda aqui... Eu fiquei tão impressionado com o envenenamento
da Garciosa que resolvi visitar naquela noite mesmo o Jacarélico e dar-lhe as
notícias da sua amiga.
Qual não foi a minha surpresa ao chegar
a um valo do manguezal do Itacorubi próximo à avenida e avistar o Jacarélico de
barriga para cima! Eu nunca na vida tinha visto um jacaré assim... Pensei até
que ele tivesse morrido. Mas ainda bem que eu cheguei a tempo. Tentei falar com
ele e o coitadinho tossia e dizia, bem fraquinho, que sua barriga doía muito.
Logo percebemos que aquilo era devido ao mesmo veneno que fizera mal para a
Garciosa... O que fazer para ajudar o Jacarélico???
Como ali não houvesse ninguém para
me dar sugestões, precisei agir sozinho. Voei até a avenida, pousei na
sinaleira e banquei o louco de tanto piar e bater as minhas asas! Ninguém dava
bola... até que apareceu um carro de bombeiros que estacionou e os moços vieram
me olhar curiosos. Desci até eles e com a minha asa apontei para o rio. Como
eles olharam para onde eu apontava, saí voando. Um deles me seguiu e avistou o
Jacarélico naquele estado. Vi que o bombeiro telefonou para alguém antes de
retornar até seus colegas. O socorro estava garantido!!! Levaram o Jacarélico
com eles! Tenho certeza de que o trataram com muito cuidado. Que alívio.
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Quero-quero os meus ovinhos!
Foto: Ana Esther
Oh, que bom ter chegado a minha vez
aqui no nosso Sarau Literário! Eu estou louco para contar o causo de um
companheiro me de gramado... Sim, nós morávamos no mesmo gramado do acesso ao
terminal de ônibus ali na avenida Beira-Mar, bem grudado ao mangue do Itacorubi.
Bom, esse meu companheiro, o Quero-quero da Selva Júnior, não me escutou quando
eu o convidei para irmos embora dali, o nosso gramado estava ficando muito
perigoso. Era o barulho e a poluição dos ônibus e carros, um montão de gente a
pé e de bicicleta... mas o pior, o pessoal apara a grama a toda hora! Que
devastação para nós! Ele riu do meu receio e me disse:
“Amigo Corujêncio, esse é o local
onde nasci, não vou sair daqui.”
Eu, que já ia me casar com a linda
Corujitinha fiz as malas e voei para bem longe dali. Um tempo depois encontrei
o Quero-quero, tão cabisbaixo... Ele me disse:
“Ah, Corujêncio, casei mas estou
arrasado. A minha Quero-querinha já botou vários ovinhos mas até agora não
vimos nascer nenhum dos nossos filhotinhos...”
“O motivo é ÓBVIO, Quero-quero, é a
máquina de cortar grama que destrói o ninho dela que é feito no chão do
gramado. Tens que sair de lá, se queres sobreviver, meu amigo!” Ainda bem que
ele me escutou e no mesmo dia foi de mala e cuia com a esposa de muda lá para o
Parque do Córrego Grande! E eu soube hoje que eles já têm dois quero-querinhos!
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Sexto Causo:
Tartaruga Abandonada
Foto: Ana Esther
Oi,
eu sou a Corujíssima Buraqueira e agora sou vizinha da Profa. Buraqueira na
praia do Campeche. O causo que eu tenho para contar é sobre uma grande amiga
minha, a tartaruga Ruguinha. Na época em que nos conhecemos eu estava
procurando uma nova toca para morar pois onde eu morava o barulho das
construções de novos condomínios já estava me deixando surda! Resolvi visitar o
Horto-florestal Córrego Grande e ver se lá era um local bom para eu morar.
Gostei e fui ficando.
Num
de meus passeios em busca de comida, avistei um lindo casco de tartaruga e fui
olhá-lo de perto. Só então percebi que a cabeça da tartaruga estava escondida!
Nisso, ela se mexeu e se endireitou. Quando ela me viu, com meus olhos
arregalados a admirá-la... se encolheu novamente, morta de medo. Mas então eu
me apresentei e disse que podia ser amiga dela. Aliviada, a Ruguinha se
apresentou também e foi logo contando sua vida. Ela era uma tartaruguinha de
estimação, morava num apartamento com uma família. Era bem tratada e nada
faltava para ela, até carinho recebia. Colocavam-na no colo, acariciavam seu
casco, boa comida e água sempre garantidas! Até que ela foi crescendo e ficou
bem grande... e as crianças da casa viraram adolescentes e se esqueceram da
amiguinha tartaruga. Um dia levaram-na ao Horto-florestal e lá a abandonaram. A
Ruguinha estava lá havia dois dias quando eu a encontrei e ainda não tinha
comido nada pois ela não sabia procurar seu alimento. Morria de medo dos
animais e das pessoas. Ela estava em pânico sem saber como sobreviver na
natureza...
Ainda
bem que eu a encontrei. Levei dois anos ajudando a Ruguinha a se adaptar em sua
nova vida. Como é que pode ter gente tão malvada que abandona seus amiguinhos
de estimação??? A maioria deles morre por não saber mais viver na natureza. Não
foi o caso da Ruguinha, ela hoje vive bem feliz lá no parque!
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Sétimo Causo:
A Gaivota e o Mistério da Garganta Entalada

Foto: Ana Esther
Boa
tarde! Eu sou a Corujoca e vim participar deste sarau a convite da minha irmã,
a Corujíssima. Vou contar um mistério que aconteceu na praia da Barra da Lagoa
um dia desses. Pois não é que eu estava visitando a prima Corujonsca em sua
toca nas dunas lá da praia e quando saboreávamos uns deliciosos filhotes de
caranguejos vimos uma gaivota tossir, bater as asas, abrir o bico desesperada.
Fomos lá para ver o que acontecia com ela. As gaivotas suas amigas, sem saberem
que misterioso ataque era aquele, se revezavam fazendo caretas e tentando dar
um susto na pobre gaivotinha para ver se ela talvez se desengasgasse.
Fiquei olhando a pobrezinha que sofria e
mal conseguia respirar. Foi então que percebi que ela não havia se engasgado,
não. Havia alguma coisa entalada na sua garganta. Bati as asas e piei um pio
estridente para chamar a atenção e logo fui falando: Vamos levá-la para o
Projeto Tamar, lá tem veterinários, eles saberão tratar dela! E para lá fomos
todos juntos com a gaivotinha.
A veterinária de plantão logo percebeu
do que ela padecia e desvendou aquele mistério. Uma enorme tampinha de cerveja
estava entalada na garganta dela. Nossa amiguinha foi salva! É tanto lixo que
jogam na praia que os bichos confundem com comidas apetitosas e vão comendo
tudo... e às vezes até morrem! Sorte da gaivotinha que foi socorrida a tempo...
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Oitavo Causo:
Pinguim de Geladeira
Foto: Elsa B. Pithan
O meu nome é
Corujéssica, fui colega da Profa. Coruja Buraqueira e estou aqui para contar o
causo tragicômico do Pinguço. O Pinguço é meu amigo até hoje mesmo morando lá
para as bandas da Antártica! Nós nos conhecemos durante um inverno muito
rigoroso quando ele e mais alguns amigos decidiram tirar umas férias e vir
passear em águas não tão geladas. Foi assim que os amigos pinguins deram com os
costados aqui em Florianópolis, lá na Barra da Lagoa. Naquela época eu morava
num cômoro de areia próximo à casa dos Salva-vidas e vi um monte de gente
berrando à beira do mar e apontando para os pinguins que estavam chegando,
mortos de cansaço e com o corpo cheio de petróleo...
Lá me toquei eu para vê-los! Eu
nunca havia visto um pinguim pessoalmente. Para meu espanto, e terror dos
pinguins, o pessoal queria “salvá-los”... Tentavam capturar os bichinhos para
levá-los até a Polícia Ambiental. Até aí tudo bem, mas uma senhora sugeriu
muito faceira: “Deixem que este pinguim eu guardo na minha geladeira até os
ambientalistas chegarem!” O pobre do Pinguço se debatia nos braços dela. Todos
concordaram e resolveram fazer o mesmo com os outros... Bom, eu só pude salvar
o Pinguço, voei para cima da senhora. Ela se assustou tanto comigo que largou o
Pinguço. O pobre conseguiu voltar para o mar e desapareceu! Mais tarde nos
encontramos na praia, já vazia, e ele me agradeceu. Para encurtar o causo, os
guardas chegaram e levaram o Pinguço para o centro de tratamento de animais e
retiraram o petróleo das penas dele salvando assim a vida do meu amigo. Os
guardas se apavoraram com a ignorância do pessoal achando que faziam uma boa
ação levando os pinguins para a geladeira!
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Nono Causo:
O Drama das Tainhas
Oi, eu sou a Profa. Coruja Buraqueira e a minha amiga
Oliva, uma enorme tartaruga marinha, contou-me algo que me deixou apavorada!
Ela me disse que num de seus passeios, aqui pelo nosso litoral catarinense,
encontrou um pequeno cardume de lindas tainhas... Começaram a conversar daqui e
dali e não é que as tainhas falaram de seu grande drama, a pesca exagerada de
tainhas. Toneladas e mais toneladas de tainhas são pescadas e muitas vezes os
pescadores nem respeitam a sua temporada de reprodução. Elas ficaram sabendo
que suas ovas são consideradas uma iguaria entre os seres humanos que as
preparam de várias maneiras deliciosas e as devoram sem nem sequer se lembrarem
que são milhares de peixes que deixam de nascer...
A Oliva, que no início da conversa [ela me confessou bem baixinho para ninguém escutar...] estava mal
intencionada, pensando até em abocanhar alguma das tainhotas de tanta fome que
tinha... terminou morrendo de pena delas! As tainhas estão achando que se a
pesca continuar a matá-las assim aos milhões, os cardumes diminuirão cada vez
mais até sumirem de vez. Sem falar na poluição dos mares que contamina todos os
animais que lá vivem. A minha amiga Oliva lembrou-se então dos nossos encontros
para Saraus Literários e do Blog onde os nossos causos são publicados e me
pediu para contar a todos esse drama das tainhas. Talvez algum leitor internauta
possa ajudar não só os peixes mas todos os bichos marinhos!!!
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Décimo causo:
Vida de Cão
Foto: José Formiga Pitthan
Oi,
turma! Eu sou o Maestro Corugênio, regente do ACPCC (Amado Coral de Pios das
Corujas Catarinenses) e vou contar o causo de um colega meu regente da ACLCC
(Amado Coral de Latidos de Cães Catarinenses). Pois não é que o Maestro
Barulhão, um simpático cão vira-lata, contou-me a origem do coral de cães do
bairro Monte Cristo, em São José! O Maestro Barulhão era um cão de família,
morava numa casa bonita, ali pertinho da Escola América Dutra Machado. Num belo
dia, a família dele resolveu se mudar mas não levou o Barulhão junto, disseram
que ele latia demais...
Abandonado, o Barulhão foi morar nas
ruas. Passou fome, sede, frio e umas pessoas malvadas o chutavam e jogavam
pedras nele. Sofrendo muito, ele continuava pelas ruas onde encontrou um montão
de outros cachorros abandonados como ele. E o pior é que muitos filhotinhos
nasciam e acabavam morrendo por falta de cuidados porque os cachorrinhos soltos
na rua acabam tendo muitos filhotes e mais de uma vez por ano! Vendo tanta
tristeza, o Barulhão resolveu fundar um coral de cães, porque latir todos eles
sabiam, eles latiam bem alto e bem lindo. Hoje, os cães do ACLCC viajam por
todo o Brasil, latindo e contando para todos sobre a vida dolorida dos cães de
rua. Assim, o Barulhão virou Maestro, é um cão respeitado e consegue grande
ajuda para os cachorros abandonados. Que belo causo, eu até me emocionei!
*Dedico com grande carinho esse causo do Maestro Corugênio e do Maestro Barulhão à criançada, funcionários, professores e à Diretora Maria Clara Vinotti da Escola América Dutra Machado (São José, SC) que me acolheram com tanto entusiasmo e vibraram com os meus personagens!!! Aqui está o causo com o 'toque' especial de vocês... Abraços da Ana Esther
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Que faceirice a minha poder participar hoje do nosso Sarau e contar um causo também. Eu sou o Corujássico-Mor, Guardião das Chaves da Floresta Mágica*. Pois numa linda tarde de sol, o meu Compadre Bigualdo, um biguá de muito respeito, me convidou para passear com ele e sua família lá pelas bandas de Itaguaçu onde há muitas pedras bonitas e aconchegantes na beira da praia. Adorei a ideia e lá me toquei com eles.
Chegamos lá e logo o Compadre Bigualdo e sua turma de biguás jogaram-se no mar contentes da vida em busca de paixinhos para comer. Eu fiquei na minha, meio escondido nas areias da praia pois havia muita gente por ali. Quando os meus amigos biguás cansaram de mergulhar, foram secar suas penas nas rochas. Que lindo vê-los de asas abertas apanhando o solzinho gostoso! Mas não é que passou um rapaz correndo e atirou uma pedra nos biguás?! Que horrível, é claro que eles voaram dali... mas eu percebi que o Compadre Bigualdo estava machucado. A pedra atingiu a asa dele com tanta força que a quebrou. Pobre do Compadre Bigualdo, como sobreviver só com uma asa??? Logo, logo ele morreria... Lembrei-me então de levá-lo para a Floresta Mágica -um santuário para bichos em perigo de vida. Somente lá o curariam e ele ficaria a salvo. Mas eu fico me perguntando, por que fazer uma malvadeza dessas?
*Nota: A Floresta Mágica fica perto da casa da Boneca Cremilda [ver descrição dos livros O Susto da Cremilda e Cremilda Ecológica. O filme O Susto da Cremilda pode ser assistido aqui mesmo no Blog!]
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Ajudem as Lagartixas!!!
Foto: Ana Esther
A Profa. Coruja Buraqueira trouxe
uma amiga, a Dona Corujeira, para contar um causo muito intrigante sobre um
delicioso petisco para corujas...
-Sim, caros amigos, vim aqui para
contar os perigos que as lagartixas estão passando... principalmente as que
moram em cidades. Descobri isso quando avistei uma suculenta lagartixa que
corria tão espaventada de uma casa que nem percebeu que vinha diretamente para
onde eu estava. E eu já fui afiando as minhas garrinhas para agarrá-la e
devorá-la!!! Quando ela me viu já de bico aberto parou apavorada e implorou-me:
- Oh, por favor, não me coma! Eu ou a
única lagartixa sobrevivente desta quadra inteira...” Fiquei com peninha da pobre,
é claro, e me apresentei.
- Calma, eu sou a Dona Corujeira, talvez
eu possa te ajudar. (Então ela me contou tudo.)
- Eu agradeço a ajuda. Sou a
Belagartix e venho fugindo das casas onde estão dedetizando, desratizando,
enchendo tudo com mil e um venenos... Todos os meus parentes e amigos já
morreram... Hoje eu quase morri tentando salvar os meus ovinhos mas não
consegui, se eu não fugisse morreria logo...
- Amigas corujas buraqueiras, já
imaginaram se não sobram mais lagartixas por aí, é menos um alimento para nós!
Que horror. Peço a vocês que evitem comê-las para ajudarmos as pobrezinhas a
sobreviver. Esses venenos estão acabando com vários animais que servem de
comida para outros animais, que tragédia!
No final do Sarau as Corujas
Buraqueiras fizeram uma reunião para pensarem no que fazer para resolver esse
problema tão sério...
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Décimo Terceiro Causo:

Foto: Ana Esther
Oh, que bom que agora é
a minha vez... Eu sou o Corujotti e tenho um causo muito semelhante ao da
Belagartix para contar só que acontece com o meu amigo, o sapo Dom Sapão! Pois
não é que o habitat dos sapos está em perigo bem como o habitat das
lagartixas... O Dom Sapão resolveu morar lá nos cômoros de areia onde eu moro
pois há um laguinho ali pertinho. Ele costumava morar mais próximo do bairro
onde ele encontrava mosquitos, moscas e outros insetinhos em abundância para
ele comer até se fartar. Sempre havia terrenos baldios por lá onde, quando
chovia, ele e seus amigos sapos mergulhavam nas poças d’água e coaxavam
alegremente.
Tudo era ótimo... mas nos últimos anos as coisas mudaram
tanto, quase não há mais terrenos baldios, as calçadas e ruas estão todas
pavimentadas, tem tanto veneno nas águas das poças... A vida fica muito difícil
assim para os sapos que vão sumindo, sumindo das cidadezinhas e vão para locais
mais afastados... No lugar deles fica só um montão de mosquitos, moscas... Ah,
e aí o povo usa toneladas de veneno.
Pelo menos o Dom Sapão está numa boa lá no nosso cômoro
de areia na Praia do Campeche! Somos grandes amigos. Eu adoro ouvir a cantoria
dele e de seus amigos em noites de chuva!
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Décimo Quarto Causo:
A Mascote do Parque Tupancy
Foto: Ana Esther
Gente, eu tenho um
causo tão terno para contar! Eu sou o Corujoldênico e vim lá das bandas do Rio
Grande do Sul. Então, lembrei-me de falar sobre a Dona Rechonchuda, uma
capivara simpática que conheci no Parque Tupancy na praia de Rondinha. Foi
assim... eu já estava cansado de tanto voar, era noitinha e eu resolvi descansar.
Pousei num monte fofo que avistei próximo a um laguinho... Não era um monte
fofo! Era a Dona Rechonchuda que estava dormindo ali! Nós dois nos assustamos,
mas no fim viramos amigos e começamos a papear. Eu contei que estava me mudando
para Florianópolis e ela então me contou a vida dela. Era uma capivara
selvagem, vivia com um bando de capivaras. A liberdade era boa, porém o grupo
sofria com a perseguição de caçadores, muitas delas morriam atropeladas, às
vezes passavam muitos dias sem encontrar alimento, viviam mudando de casa, pois
as cidades iam chegando nos matos onde moravam, tudo muito estressante. Até que
um dia, a Dona Rechonchuda foi atropelada numa estrada. Como ela não morreu,
umas pessoas gentis a levaram até um veterinário que a tratou muito bem. E foi
aí que ele a levou para o Parque Tupancy onde já havia outras capivaras. A vida
ali era bem mais tranquila para ela...
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Décimo
quinto causo:
Se
beber, não dirija!
Foto: Ana Esther
Caras colegas corujas,
olá! Eu sou a Corujenilda, prima da Srta. Corujelda e ela me convidou para vir aqui contar um
causo. Pois então contarei um verdadeiro milagre que aconteceu com o Atizinho,
um amigo do meu filhote Corujozinho. Os dois eram bem pequenos e estavam
brincando na praia, bem faceiros. Nem eu nem a mão do Atizinho, a D. Ati,
percebemos que os dois se afastaram um pouco do cômoro de areia... Oh, e não é
que um carro surgiu na praia e o motorista dirigia muito mal, corria assustando
a todos. No meio do tumulto, ele veio para o nosso lado e já estava quase
passando em cima do Atizinho! Ainda bem que o Corujozinho viu e piou, piou,
avisando o amigo que conseguiu desviar a tempo... ele não foi atropelado por
poucos centímetros, ufa!
O motorista é que não conseguiu desviar do cômoro de areia e
bateu nele de frente, quase morreu. Os policiais que o socorreram comentaram
que ele estava bêbado, que horror. Até nós, corujas e todos os bichinhos, temos
que nos cuidar com os “bebuns” que invadem a nossa praia!!!
*Ati é o nome na língua tupi de um tipo de gaivota pequena.
Décimo sexto causo:
Nem todo Morcego é Drácula...
Foto: Ana Esther
- Oi, colegas
corujas, eu sou o Corujenstein e aproveitando que o sarau é noturno eu trouxe
aqui o meu amigo morcego, o Conde Frútula. Ele veio falar para nós sobre uma
grande ameaça que está dizimando as populações de morcegos.
- Boa noite
corujas e corujos! Imaginem que milhares e milhares de morcegos são mortos por
pessoas que acham que todos os morcegos são... vampiros! Devido à (má) fama do
meu primo, o Conde Drácula, o pessoal pensa que todos os morcegos saem por aí
sugando o sangue alheio.
- Sr. Conde
Frútula, o senhor é um morcego-vampiro? – Perguntou a Profa. Coruja-buraqueira
meio trêmula.
- Não, minha
cara! Eu sou frugívoro, gosto de frutinhas e assim também uma grande parte dos
morcegos. Somente um ramo da enorme família dos Morcegos é de vampiros, eles
são mesmo perigosos! Mas a maioria de nós é boazinha, nós somos importantes
para o equilíbrio da natureza, ajudamos na reprodução de certas plantas, alguns
morcegos comem insetos, muitos insetos... Eu sou sortudo, moro num condomínio
no bairro Itacorubi onde as pessoas vivem me dando
comidinha, adoro bananas!
-
Ah, ah, ah! Bem se vê o porquê que o Conde Frútula é tão gorducho! – O Sr.
Corujenstein, sacudindo as suas asas, riu da sua piadinha.
Décimo sétimo Causo:
A Gralha Azul e a Araucária
Foto: Ana Esther
A Profa. Coruja Buraqueira estava quase
pronta para dar início ao sarau e contar mais um causo para os seus amigos
quando de repente...
- Olá!!! Que bom que cheguei na hora
certa. Espero que eu possa contar um causo para vocês...???
- Oh, seja bem-vinda, Srta. Gralha
Azul. É claro que sim! – A Profa. Coruja Buraqueira, meio amedrontada com o
tamanho da visitante, sorriu e fez sinal para ela juntar-se à roda de causos.
- Eu vim voando de Lages até aqui
pois, sou fã dos causos que vocês contam, minha comadre Gralha Azulérrima que
mora aqui em Floripa foi quem me falou do grupo de vocês. Então eu vim contar
sobre as araucárias, árvores que produzem pinhões deliciosos: elas estão
desaparecendo, correm risco de extinção... No passado, o Estado de Santa
Catarina estava cheio dessas árvores, mas ao longo dos anos pessoas foram
desmatando as florestas por diversos motivos e hoje restam muito poucas. Isto
afeta a vida de vários bichos e nós, gralhas, sofremos demais.
- Nossa, Stra. Gralha Azul... que
horror. Teremos que fazer, então, uma campanha para preservar as araucárias.
- Ah, eu sabia que poderia contar
com o apoio de vocês! Por isso eu vim aqui. – E a Srta. Gralha Azul juntou-se
às corujas buraqueiras que já comemoravam.
Décimo oitavo causo
Que Mau Gosto!
(Lagartas!)
A Profa. Coruja Buraqueira abriu
mais uma rodada de causos. – Que alegria trazer hoje aqui o meu compadre
Corujedson Filho para contar um causo para nós!
- Ah, sim, sim. Mas podem me chamar
pelo meu apelido: Dom Corujão II... Bem, eu soube de algo que aconteceu no
condomínio onde eu moro. Pois não é que por lá tem uns lindos Manacás com
perfumadas flores brancas e azuladas que atraem graciosas borboletas?! Mas,
claro, antes de nascerem, as borboletas são primeiro lagartas gorduchinhas...
tão fofas... até me dá vontade de comê-las, mas eu me controlo pois prefiro ver
depois as belas borboletas! Só que há por lá uns humanos que adoram apertar as
pobres lagartas até elas virarem uma gosma melequenta.
Que malvadeza e que mau gosto. Eles preferem a gosma em vez de esperarem para
apreciar a beleza das borboletas...
- Oh, como são ridículos esses
humanos aí, Dom Corujão II... Ah, ah, ah!!! – E as corujinhas-buraqueiras
ficaram rindo sem parar por um tempão.
Décimo nono causo
O Socó pede Socorro
Foto: Ana Esther
-
Hoje temos um convidado tão especial, queridas corujas-buraqueiras! – A Profa.
Coruja Buraqueira anunciou logo de início no Sarau de Verão do grupo. – É um
turista português que veio conhecer os parentes brasileiros aqui da Lagoa da
Conceição.
- Boa noite para todos! Eu sou o
Socó Goraz e venho lá de Portugal onde a nossa população de socós está
diminuindo muito devido a vários problemas ambientais, infelizmente.
- Olá, Profa. Coruja Buraqueira,
olá, pessoal! Eu sou o Socó-ricocó, o primo brasileiro do Socó Goraz. – O socó
chegou de repente dando um baita susto nas corujinhas. Quando elas se
acalmaram, ele prosseguiu. – Estou morrendo de vergonha do primo, eu o levei
para jantar na Lagoa e começamos a pescar a nossa janta bem perto da ponte... e
que sujeira!
- Sim, foi horrível, havia uma gosma
nojenta, plásticos, vidro quebrado, restos de comida, embalagens... ah, e até
cocô de gente, cruz credo! E eu quase morri engasgado com a tal da gosma... – O
Socó Goraz calou-se, tristonho.
- Eu disse para o primo contar isso
tudo pra vocês antes de retornar pra Portugal. Ele não quer mais ficar aqui. A
sujeira da Lagoa está espantando turistas como ele.
- Oh, que pena Seu Socó Goraz, mas o
senhor tem razão, a nossa lagoa está morrendo com a poluição... – A Profa.
Coruja Buraqueira encerrou o sarau. As corujas concordaram que deviam fazer algo
para salvar a Lagoa da Conceição. Os socós foram embora tristes, mas
esperançosos.